
| Modalidade | Época do Ensino | Conceito Central | Critério de Final | Principais Polêmicas |
|---|---|---|---|---|
| Travessia da Fantasia | Primeiro ensino (anos 1950) | Atravessar a fantasia fundamental que organiza o desejo. | Sujeito deixa de ser efeito de sua fantasia e assume posição diante de seu desejo. | Idealização de um “fim definitivo”; dúvida sobre a possibilidade de manter-se “do outro lado” para sempre. |
| Produção do Desejo do Analista | Segundo ensino (anos 1960) | Final como mudança de posição para sustentar o desejo na função analítica. | Analisante capaz de sustentar ato e desejo sem se apoiar no Outro. | Acusação de normatividade, como se todo analisante devesse tornar-se analista. |
| Passe | 1967 em diante | Dispositivo institucional para testemunhar e validar o fim da análise. | Reconhecimento como Analista da Escola (AE) por meio de relato aos passadores. | Acusação de elitismo; dependência de validação externa; fracasso prático segundo o próprio Lacan. |
| Destituição Subjetiva | Final do segundo ensino (anos 1970) | Separação radical de qualquer garantia do Outro. | Experiência de vazio e reconhecimento de que “não há Outro do Outro”. | Risco de idealizar o esvaziamento; dúvida se é condição necessária ou apenas experiência limite. |
| Sinthoma / Campo Gozante | Último ensino (anos 1975-1981) | Saber-fazer com o próprio modo singular de gozo. | Invenção que estabiliza o nó do sujeito sem suprimir o sintoma. | Acusação de “despolitização”; risco de reduzir a psicanálise a manejo pragmático e adaptativo. |
7. Conclusão: entre a ética e o impossível
As modalidades de saída de análise em Lacan mostram que o final não é um ponto fixo, mas uma elaboração histórica e teórica em movimento. Da travessia da fantasia ao saber-fazer com o sinthoma, passando pelo passe e pela destituição subjetiva, o que permanece é a ética da psicanálise: não ceder sobre o desejo e não se refugiar em garantias fáceis.
A polêmica é constitutiva. Se há algo que Lacan nos ensina é que o final da análise não pode ser normativo, nem previsível, nem protocolar. Cada saída é singular, e é nessa singularidade que reside a força — e a fragilidade — da psicanálise.
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