Pedro Tavares – Ensaios Psicanalíticos e Sigma Psicanálise
Psicanálise Sigma é um espaço dedicado à articulação entre a psicanálise lacaniana e os desafios do mundo contemporâneo. Inspirado na proposta inovadora do Sigma Psicanálise, este blog explora a clínica do sujeito, a política do desejo e as novas formas de sofrimento psíquico, sempre a partir de uma escuta ética e rigorosa. Mais do que interpretar sintomas, buscamos pensar a psicanálise como um campo vivo de invenção, onde teoria, clínica e sociedade se entrelaçam.
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Introdução: o que são os escritos técnicosEntre 1911 e 1915, Freud produziu um conjunto de textos hoje conhecidos como “escritos técnicos”. Eles não são manuais no sentido estrito, mas reflexões dirigidas a colegas sobre como conduzir a prática psicanalítica. Alguns dos mais conhecidos são:Sobre o Início do Tratamento (1913) A Dinâmica da Transferência (1912) Recordar,…
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Sobre o Início do Tratamento (1913) A Dinâmica da Transferência (1912) Recordar, Repetir e Elaborar (1914) Recomendações aos Médicos que Exercem a Psicanálise (1912) Observações sobre o Amor de Transferência (1915) Esses textos nasceram num momento em que Freud consolidava a psicanálise como método clínico distinto da hipnose, da sugestão e das terapias de aconselhamento.…
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Psicanálise e Teoria dos Jogos: Estratégias do Desejo e da Falta A diferença é que a psicanálise não pressupõe um sujeito plenamente racional, mas um sujeito dividido, habitado por um desejo que nem sempre coincide com seus interesses conscientes. Já a teoria dos jogos, em sua formulação clássica, opera com jogadores estratégicos que maximizam ganhos.…
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Hipnose (influência de Charcot e Bernheim): o paciente, em transe, era conduzido a reviver cenas traumáticas. Método catártico (com Breuer): evocação emocional acompanhada de descarga afetiva, também com o terapeuta ativo e próximo. Entrevista frente a frente: ainda com um modelo médico tradicional, com o paciente sentado diante do profissional. Esses métodos, porém, mostravam limites:…
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Lacan dizia que o inconsciente é estruturado como uma linguagem, mas não como uma linguagem “fixa” — ele se movimenta, desloca e se atualiza no encontro com novas formas de discurso. Assim, enfrentar o contemporâneo não significa adaptar-se a ele de forma complacente, mas ler seus sintomas, reconhecer o modo como os discursos dominantes afetam…
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O sujeito que vive essa queda experimenta a perda não apenas de objetos — um emprego, um relacionamento, uma posição social — mas também de coordenadas simbólicas. O lugar onde se estava inscrito no desejo do Outro se esvazia. E com isso, surge o silêncio aterrador da pergunta: E agora? Na psicanálise, reconhecemos aqui uma…
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A hiperconexão nos promete proximidade, mas o que produz é solidão em alta definição.Sherry Turkle descreve um paradoxo: quanto mais conectados estamos, mais nos protegemos do encontro real. Para Lacan, o Outro é sempre opaco; nenhuma imagem na tela substitui o risco da presença. No feed, controlamos ângulos, silêncios e respostas. Na vida, o encontro…
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No contemporâneo, não é mais o pai que proíbe, mas o mercado que incita.Byung-Chul Han observa que vivemos numa sociedade do desempenho, onde o “você pode” substituiu o “você deve”. Lacan já advertia: a liberdade total de gozar é, na verdade, uma nova forma de comando.O sujeito se torna escravo da própria potência, sempre insuficiente…